IMPLICAÇÕES ÉTICAS DA PAZ
Postado por: Lazara Maria em 28 dezembro, 2016 no Artigos do Bispo Deixe um comentario
Findamos o ano fazendo um balanço,
identificando desafios e renovando esperanças. Se a humanidade existe há
milhões de anos e, hoje, ainda enfrenta problemas gravíssimos, devemos nos
perguntar sobre a qualidade de nosso desenvolvimento humano e de nossos
projetos de vida. Nosso balanço de fim de ano deve, portanto, ser mais profundo
do que supomos. Nossos projetos devem ser mais coerentes do que costumamos
imaginar.
O que mais desejamos ao iniciarmos
o novo ano senão a paz? Por isso, celebramos, no dia 1° de janeiro, o Dia
Mundial da Paz. Este dia, instituído pelo Papa Paulo VI, começou a ser
celebrado em 1968, no auge da Guerra do Vietnã, quando muitos povos, inclusive
o povo brasileiro, estavam assolados por governos autoritários; época do
assassinato de Martin Luther King; e tempo de protestos, especialmente juvenis,
em prol de liberdade. Desde então, Paulo VI e seus sucessores manifestaram-se a
cada ano, nesse dia, associando paz, justiça e condições dignas de vida.
De 1979 a 2005, João Paulo II
tratou em suas mensagens para esse dia, temas relacionados à paz, como respeito
às crianças, discriminação, desenvolvimento, solidariedade, conflitos mundiais,
pobreza, educação, perdão, justiça e direitos humanos. Sua aguçada consciência
ecumênica levou-o a promover em 1986, o Dia Mundial de Oração Pela Paz,
reunindo líderes de distintas religiões como um sinal profético de esforço
comum em favor da paz mundial.
Bento XVI deu sequência a esta
saudável tradição, abordando questões cruciais como respeito à pessoa humana,
combate à pobreza, defesa do meio ambiente e desafio da família humana em ser
uma comunidade solidária. Em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2011,
sob o lema “Liberdade Religiosa, Caminho para a Paz”, ele afirmou dolorosamente
que, “em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir
livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal”.
Por isso, exortou “os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu
compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar
a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o
coração, toda a alma e toda a mente”.
No Brasil, a liberdade religiosa
adquiriu estatuto legal em 1891, foi reafirmada na Carta Magna de 1934 e
permanece na constituição atual, outorgada em 1988. Embora casos de
intolerância religiosa estejam sendo frequentemente denunciados, nota-se um
esforço crescente de várias denominações religiosas de trabalharem em conjunto
como condição para construir a tão almejada paz social. O movimento ecumênico
no Brasil, representado, sobretudo, pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs,
do qual a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil faz parte, tem entre seus
objetivos, “promover a justiça e a paz”.
Inspirados por essas belas
iniciativas e pela mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz de
2017, sob o lema “A não-violência, estilo de política para a paz”, sejamos
neste novo ano, muito mais corajosos na luta contra a cultura da violência que
invade todas as realidades da vida humana, inclusive nossos lares. Busquemos,
pois, a verdadeira paz, cuja fonte é Deus, com suas implicações éticas, agindo
em favor do que é justo e digno a todos os seres humanos, construindo-a em
nossos relacionamentos interpessoais e lutando por ela, sobretudo onde se faz
mais necessária.
Jales,
28 de dezembro de 2016.



