Translate

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Encontro de Referenciais da Pastoral da Educação do RS



Encontro de Referenciais da Pastoral da Educação do RS

Na ultima segunda-feira (25) realizou-se o Encontro de Referenciais da Pastoral da Educação do RS, na oportunidade fizeram-se presentes dois dos representantes da equipe de coordenação da Pastoral da Educação da Arquidiocese de Passo Fundo, P. Leonardo Foschiera e a Profa. Nara Isar Vidal Menegatti. A programação contou com a palestra “Cenários e tendências da educação” explanada pela Profa. Dr. Marilia Morosini (PUCRS), dando continuidade aos trabalhos com as (Arqui)Dioceses sob a coordenação do P. Marcos Sandrini, o qual nos apresentou o Plano de Trabalho da Comissão de Educação e Cultura da CNBB/SUL3 deixando como desafio para as (Arqui)Dioceses, através de suas equipes de coordenação,  a elaboração de seus planos para 2018. Esteve presente no encontro o bispo referencial Dom Leomar Antônio Brustolin, que se mostrou alegre pela representatividade das (Arqui)Dioceses, salientou ter  conhecimento de como está acontecendo a pastoral da educação em cada (Arqui)Dioceses, chama para uma maior participação nas escolas públicas, para que se consiga enfrentar as crises através do diálogo, pois a sociedade é plural e se deve sentar juntos, pensar ações para esta sociedade que é plural, plural e necessária e, que as discussões emergentes, como exemplo, o Ensino Religioso, devem ser pensado novos caminhos através do diálogo. Enfatizou que a capilaridade e a descentralização é fundamental, por isso é importante o trabalho nas (arqui)dioceses.  

quarta-feira, 28 de junho de 2017


ENCRUZILHADA QUE EXIGE DISCERNIMENTO

Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales


“Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está em uma encruzilhada. Um caminho leva ao desespero. O outro, à total extinção”. Essas palavras de Woody Allen, cineasta americano, retratam o sentimento de muitas pessoas para as quais o destino do mundo é trágico. Pudera! Os conflitos agravam-se enormemente. Os humanos se matam como nunca antes. Poderes econômicos, políticos, militares e midiáticos fomentam, sem escrúpulo, a cultura da violência e da guerra. O terror se espalha até mesmo por meio de fanatismos religiosos.
O século passado foi o mais violento da história. O século atual dá sinais de tornar-se pior. O próprio Papa Francisco, após 100 anos da “Primeira Guerra Mundial”, lançou um alerta sobre a “Terceira Guerra Mundial” em curso. “Para ser claro”, diz o Papa, “há uma guerra de interesses, há uma guerra por dinheiro, há uma guerra por recursos naturais, há uma guerra para a dominação dos povos”. O Papa coloca em questão a “Ordem Mundial” conflituosa, disseminada nas guerras de todos os dias, que, de uma maneira ou outra, implica a todos.
“Quando todo o mundo, como é hoje, está em guerra, todo o mundo”, enfatiza o Papa, “é uma guerra mundial em pedaços; aqui, ali, lá, em todos os lugares”. É triste. No entanto, não é o fim. Por isso, o Papa convida o mundo a “reencontrar a capacidade de chorar por seus crimes” e mudar seu rumo. Contrapondo-se aos “profetas da tragédia e do fatalismo”, ele não se cansa de anunciar a misericórdia divina revelada em Jesus Cristo, que, do alto da cruz, diante de seus algozes, exclamou: “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem” (cf. Lc 23,34).
Apesar de tanto caos, por que não é o fim? “Enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho”, diz o Papa Francisco, “há os pobres pacificadores que, somente para ajudar uma pessoa, outra, outra, outra, dão a vida”. Eles dão testemunho do amor divino que salva a humanidade. São muitos e, em geral, anônimos. Doam-se por amor, sobretudo aos mais sofredores, sem pretensão de serem reconhecidos. Vivem radicalmente o precioso ensinamento de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida por seus amigos” (Jo 15,13).
Jesus demonstrou que o amor verdadeiro é mais forte do que os sistemas violentos. Por isso, ensinou a seus discípulos: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu digo: amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mt 5,43-44). Por que Jesus orientou seus discípulos a amarem seus opressores? Ele sabia que as guerras, os homicídios, enfim, a destruição da vida começa nos corações. Irritação contra os outros e palavras ofensivas, por exemplo, são formas de atentar contra a vida alheia.
Devemos eliminar os mecanismos de violência sem desconsiderar o direito à legítima defesa. O Papa Pio XI admitia, por exemplo, que se empregassem meios de autodefesa contra um governo opressor. A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Vaticano II, diz o mesmo, encorajando os cidadãos, quando o bem comum o exigir, a defenderem seus direitos contra o abuso de autoridade. O Papa Paulo VI chega a admitir a possibilidade de insurreição para coibir tiranias prolongadas que atentem gravemente contra os direitos fundamentais dos seres humanos e o bem comum do país.
Hoje, estamos confrontados ao autoritarismo em nosso próprio país. Não necessitamos nos referir a outros países para exemplificar tiranias, assumindo que aqui mesmo estamos em uma encruzilhada que nos exige sábio discernimento. Não nos deixemos enganar! Saibamos fazer escolhas! Que nossas opções e ações sejam divinamente inspiradas e corajosas!
Jales, 02 de maio de 2017.
CONVITE



A Pastoral da Educação da Arquidiocese de Passo Fundo convida você para participar do Encontro Celebrativo e Festivo em comemoração aos Santos juninos. Conforme tinha ficado agendado em nosso último encontro e, no encontro com o setorial das paróquias do mês de maio, a data seria para o dia 8/06/2017, por motivo de força maior prorrogamos o encontro para o dia 15/06/2017. Gostaríamos de contar com a compreensão e colaboração dos párocos e conforme os nomes que levantaram no encontro setorial, na técnica de reconhecimento que enviem de sua comunidade no mínimo um representante dos que foram lembrados.  Contamos com a colaboração de todos, para que o êxito de nosso encontro tenha sucesso, uma vez que será um momento de incentivo a participação na comunidade em que atuam. Segue em anexo convite se possível imprimir e divulgar nas secretarias paroquiais.


Data: Sábado, 15 de julho de 2017.
Local: Salão da Catedral

Horário: 8h 30min às 11h e 30min

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Pastoral da Educação prepara materiais de ação

“Mobilizar todas as instâncias da Igreja Católica no Rio Grande do Sul, à luz do Evangelho, para participar no crescimento das pessoas e na construção do seu futuro, sendo presença evangelizadora no mundo da Educação e da Cultura.” Essa é a missão assumida pela Pastoral da Educação e Cultura do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que foi apresentada nesta segunda-feira, dia 3, a representantes de 15 das 18 arqui(dioceses) gaúchas.

No encontro realizado em Porto Alegre, a Comissão de Educação e Cultura do Regional entregou aos participantes uma cópia do projeto, que tem como objetivo final uma educação mais humanista. Para isso, propõe a articulação da Pastoral da Educação em cada arqui(diocese) e a criação de núcleos de professores por município ou paróquias que reflitam e atuem na qualificação da educação em suas próprias realidades.
 De acordo com o referencial para a Educação e Cultura no Rio Grande do Sul, o bispo auxiliar de Porto Alegre Dom Leomar Brustolin, é sugerido que cada núcleo se reúna quatro vezes ao ano. Para esses momentos, foi preparado um subsídio com quatro artigos sobre temas emergentes em Educação. A proposta é que seja trabalhada uma reflexão por encontro.
 “Precisamos nos reunir, refletir e propor caminhos capazes de garantir uma formação integral e solidária em todos os âmbitos da educação onde atuamos”, destacou Dom Leomar. O bispo também ressaltou que a articulação de professores em todo o Estado visa qualificar a presença dos educadores cristãos, para construir a cultura da proximidade, do encontro e da humanização das relações.
 Reforma do Ensino Médio
A reunião da Pastoral da Educação e Cultura do Rio Grande do Sul também foi um momento para a reflexão sobre a Reforma do Ensino Médio, proposta pelo governo federal. O professor Gabriel Grabowski, que atua na Feevale e no IPA, defendeu a necessidade de uma reestruturação, mas não no atual modelo.
 A lei sancionada em fevereiro pelo presidente Michel Temer tem origem na Medida Provisória do Novo Ensino Médio. Ela prevê, por exemplo, que apenas Português, Matemática e Inglês sejam disciplinas obrigatórias; que para ser professor se tenha “notório saber”; e que 40% do currículo sejam definidos pela escola, sistema de ensino e alunos.
 Para Grabowski, a atual reforma não traz novidades em relação a outras já aplicadas e está centrada basicamente na mudança curricular, sem oferecer condições para que seja realmente aplicada. Ele argumenta que a proposta depende, em grande medida, da Base Nacional Curricular Comum, que está em discussão desde 2014 e que deve iniciar somente em 2019, após a eleição para presidente e governadores.
 Entre outras considerações, o professor ressaltou que a obrigatoriedade de apenas três disciplinas empobrecerá de tal modo currículo escolar – já fragilizado, segundo ele –, que revoltará todos os envolvidos no processo educacional. Centenas de entidades já se posicionaram contra.
 Sulão da Educação
Os padres, diáconos, religiosos e leigos presentes na reunião desta segunda-feira foram convidados ainda para o Encontro Regional da Pastoral da Educação, que reunirá os agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O chamado “Sulão da Educação” ocorrerá dias 26 e 27 de maio, na Casa de Retiro São Lourenço de Brindisi, em Porto Alegre.
 Com conferencistas dos três estados da região Sul do Brasil, o encontro discutirá cenários e tendências da educação atual e refletirá a presença da Igreja Católica no mundo da educação. O investimento é de R$ 150, incluindo a inscrição, hospedagem e alimentação. Cada Regional da CNBB indicará 20 participantes.
 Foto e texto: Amanda Fetzner Efrom, Ascom – Porto Alegre

sexta-feira, 24 de março de 2017

CARNE FRACA, ESPÍRITO FORTE

Dom Reginaldo Andrietta

No Brasil dos dias atuais, a expressão “carne fraca” está sendo utilizada na Operação da Polícia Federal em combate à falsa qualidade de alguns produtos comercializados por frigoríficos de renome nacional e internacional, acobertados por agentes públicos. Evidentemente, essa operação faz sentido. Por que, no entanto, tornou-se pública imediatamente após as grandes manifestações nacionais contra os projetos de Reforma da Previdência e Trabalhista?
O amplo debate sobre essas reformas ficou, de repente, obscurecido. O calor da discussão sobre as mesmas esfriou-se. A grande mídia conseguiu substituir a pauta das reformas, que estava se popularizando e tomando grandes proporções, pela temática da “carne podre”. Enquanto o legislativo federal está em processo de discussão e votação dessas reformas, a mídia burguesa tenta desviar a atenção da sociedade brasileira para a Operação Carne Fraca.
Nesse contexto, vale a pena relacionar o nome dessa operação à fraqueza da carne mencionada por Jesus. Ele, na eminência de ser preso, condenado e morto, vendo seus discípulos adormecidos, lhes diz: “Vigiem e orem para não caírem em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). Certamente, Jesus se refere à fragilidade humana, experimentada pelos discípulos e por Ele também, na missão confiada por Deus Pai, em confronto com detentores do poder.
Os soberanos judeus, aliados ao Império Romano, após tentarem, sem sucesso, desmoralizar o projeto de Jesus e reprimir suas ações em favor do povo pobre e oprimido, decidem eliminá-lo. Em torno de Jesus surge um grande movimento popular, marcado ainda por incoerências. Muitos o seguem, pensando que Ele irá instaurar um novo governo. O projeto dele, no entanto, é mais profundo, coloca em questão o sistema de vida em sociedade, no seu todo.
Ao pedir a seus discípulos que vigiem e orem porque a “carne é fraca”, Jesus mostra a fragilidade das pessoas e do movimento criado em torno dele. Por isso, exorta os “adormecidos” a acreditarem na força que vem de Deus, colocando-se em sintonia com Ele, função esta da oração. Da sinergia coletiva dos discípulos com Deus, emerge um poder que nenhum outro pode suplantar. Jesus revela que o povo, impregnado do Espírito de Deus, tem condições de vencer as investidas do poder.
Hoje, os cidadãos comuns, pressionados por políticas econômicas que arrocham salários, geram desempregos e suprimem direitos, estão perplexos frente à situação do país. O novo governo, de legitimidade duvidosa, prometia uma retomada do crescimento econômico. Nota-se, no entanto, uma tendência ao agravamento dos problemas. Os empregos prometidos estão sendo ainda mais reduzidos, e os impostos, já altos, estão sendo aumentados.
A perplexidade de nosso povo se funda na confiança defraudada. Os cidadãos se sentem e se tornam, realmente traídos, porque a solução de seus problemas, confiada a seus representantes, têm resultado em fracasso. Por que? Ao transferirem a outrem a responsabilidade de gestão social, sem direcionamento e controle social, renunciam ser sujeitos e protagonistas. A incoerência é de todos que assim atuam. Deste modo, a carne revela-se, realmente, fraca.
Criemos, então, uma nova consciência, divinamente inspirada, que emerge do amplo debate sobre tudo que envolve nossa vida social, sem perder o foco no que é relevante. Debatamos, portando, a respeito de tudo, inclusive sobre a Operação Carne Fraca. No entanto, estejamos agora, focados em manifestarmo-nos frente aos trágicos projetos de Reforma da Previdência e Trabalhista, reagindo coletivamente com sabedoria divina, ou seja, “Espírito Forte”.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Primavera Feminina

PRIMAVERA FEMININA

Oito de março é o Dia Internacional da Mulher. Como as mulheres gostariam de comemorá-lo? Recebendo flores e presentes? Que bom receberem símbolos; melhor ainda serem respeitadas em sua dignidade e reconhecidas em seus direitos, finalidades dessa comemoração oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975. Ela surgiu de lutas sociais e políticas, especialmente de mulheres trabalhadoras.
No dia oito de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil, de Nova Iorque, fizeram uma greve por melhores condições de trabalho e igualdade de direitos trabalhistas para as mulheres, movimento este reprimido com violência pela polícia. No dia oito de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para recordar esse movimento e exigir o voto feminino e o fim do trabalho infantil, sendo igualmente reprimidas.
Reconhecendo a importância dessa luta, uma Conferência Internacional de Trabalhadores e Trabalhadoras, realizada na Dinamarca, em 1910, decidiu que o oito de março seria o Dia Internacional da Mulher. Essa data passou a ser ainda mais significativa a partir de 25 de março do ano seguinte, quando um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova Iorque, causado por condições precárias de trabalho, matou 146 trabalhadores, sendo 123 mulheres.
Desde então, a luta das mulheres foi se expandindo, possibilitando muitas conquistas, entre as quais o direito ao voto feminino e a cargos públicos. Sua participação na cena eleitoral começou na Nova Zelândia, em 1893; na Finlândia, em 1906; e nos Estados Unidos, em 1919. No Brasil, o direito de voto das mulheres foi estabelecido por decreto, em 1932, e consolidado na Constituição de 1934.
Explorações e discriminações sofridas pelas mulheres, especialmente no trabalho, se tornaram focos de luta. No Brasil, por exemplo, a luta das empregadas domésticas por direitos iguais às demais categorias profissionais, dura cerca de um século; tomou expressão nacional a partir dos anos 50, perpassou os tempos sombrios da ditadura militar e alcançou êxito legal em 2015, no período de uma mulher, representante da classe trabalhadora, como presidente da República.
Apesar das conquistas, as discriminações contra as mulheres continuam alarmantes. No Brasil, seus salários são, em média, 73% dos homens. A diferença é ainda maior para as afrodescendentes. Elas são discriminadas nos cargos e carreiras, inclusive em funções públicas: 52% dos eleitores são mulheres, mas apenas 9,9% da Câmara dos Deputados e 5% do Senado são ocupados por mulheres.
Hoje, no Brasil, os trabalhadores estão correndo o risco de pagar longamente por uma aposentadoria que não usufruirão ou muito pouco. A falsidade apregoada para poder mudar as regras do INSS, alongando o tempo de contribuição e de serviço, visa dar sustentabilidade às empresas que contarão com menos mão de obra jovem, eximindo por mais tempo, tanto elas como o Estado, de partilharem benefícios. As mulheres, como sempre, serão as mais afetadas.
Por isso, até mesmo a ONU realizará de 14 a 24 de março deste ano, debates sobre o empoderamento das mulheres e seu vínculo com o desenvolvimento sustentável, focalizando todo tipo de violência cometida contra elas. Merece destaque nessa luta, a Marcha Mundial das Mulheres que, desde o ano 2000, realiza grandes mobilizações, especialmente no dia oito de março.
Que as flores e presentes no oito de março sejam, portanto, reconhecimentos da “primavera feminina”. Ao lutarem por seus direitos, as mulheres lutam pela sustentabilidade da vida. Essa luta é profundamente cristã, afinal o próprio filho de Deus assumiu a condição humana por meio de uma mulher que se tornou início de uma nova humanidade, sem dominadores e dominados (cf. Lc 1,52).
Jales, 01 de março de 2017.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Dando uma "ajeitadinha na casa"

NOVO ANO COM NOVOS HORIZONTES


Iniciamos 2017 suplicando a Deus um ano abençoado, pois nossos desafios no Brasil são imensos. Necessitamos de novos horizontes. Oxalá tenhamos aproveitado a passagem de ano para darmos uma “ajeitadinha na casa”. Refiro-me a nós mesmos. Senão, ainda há tempo. Após tantos morteiros, rojões e shows pirotécnicos, contraditórios com o tempo de crise, vale a pena olharmos para nós mesmos, na busca de reorientar nossas vidas, eliminando o risco de seguirmos um rumo incerto, tal qual nosso país.
Que tal, então, dedicarmos um tempinho especial à meditação, a uma análise mais profunda sobre nossa maneira de ser, agir e coexistir, e a uma boa conversa com Deus, buscando luzes para o caminho? Não desperdicemos a oportunidade. Por que deixar para depois o que é essencial? “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6,33). Eis o essencial, indicado por Jesus. Se não o entendemos bem, aprendamos com o pedreiro que peneira a areia para a construção. Joguemos fora o que não serve. Guardemos o que é bom.
Aprendamos, então, o que é bom em tudo e com todos. Aprendamos a fazer uma horta orgânica, a comer e beber o que é nutritivo, a cuidar de flores, a trabalhar de maneira criativa e honesta, a reciclar, a cantar e dançar, a ler um bom livro, a cuidar do corpo, da mente, do coração e do espírito. Aprendamos a ver filmes e programas de TV educativos, a dialogar de maneirar agradável e a gastar pouco ou muito com o que vale, realmente, a pena. Aprendamos a cuidar dos enfermos, consolar os tristes, incentivar os desanimados e encorajar os medrosos.
Aprendamos, também, a ser proativos diante da cultura da banalidade difundida pela mídia mercantil; das calçadas intransitáveis para idosos e deficientes físicos; dos buracos nas ruas que colocam vidas em risco; do fruto do trabalho não compartilhado; do dinheiro público sem investimento social; dos acordos entre lideranças políticas sem participação cidadã; do poder público que não subvenciona entidades socioeducativas, obrigando-as a mendigarem recursos e sobreviverem com festas de cachorro quente, para cumprirem um papel que é do próprio Estado.
O novo ano será melhor e abençoado se nós formos melhores e se agirmos comunitária e politicamente melhor. Por isso, mais que desejar o que é bom, sejamos decididos a ser bons e a conquistar o que é justo. Sejamos audaciosos sem sermos arrogantes. Sejamos críticos, não para destruir, senão construir. Amemos a todos, Deus por primeiro, pois Ele nos deu a vida e continua nos dando sabedoria para conservá-la. Vivamos intensamente de forma fraterna. Foi para isso que Deus nos enviou seu Filho Jesus. Libertemo-nos, pois, do egoísmo, do imobilismo e de tantas outras amarras, como Lázaro, o ressuscitado.
Abramos, então, os novos horizontes que necessitamos, começando por nós mesmos, jamais nos esquecendo dos idosos, dos dependentes químicos, dos que estão sem saídas diante do desemprego crônico ou na mendicância. Saibamos orientar as crianças, apontar caminhos aos adolescentes e desafiar os jovens. Recusemos a indiferença e a passividade. Juntos, defendamos a vida, cuidemos do meio ambiente, lutemos pelo bem comum, olhando para o futuro com confiança. Que neste novo ano, nossos modos de ser e agir sejam, pois, condizentes com as bênçãos de Deus que suplicamos.
Jales, 05 de janeiro de 2017.